terça-feira, 18 de setembro de 2012

Frei Leonardo Boff, teólogo, filósofo, escritor e Dr.Honoris Causa em política, pela Universidade de Turim por solicitação de Norberto Bobbio, escreveu em seu blog o texto [Manter viva a causa do PT: para além do “Mensalão”][1] no qual ele defende a necessidade de manter viva “a causa daqueles que vem da grande tribulação histórica sempre mantidos no abandono e na marginalidade” e que ele define como sendo a causa do PT.

Acerta enormemente o teólogo (por esforçada formação) ao defender que a causa precisa sim ser mantida viva, defendida, abraçada e revitalizada sempre, por questão de justiça liberdade, igualdade e fraternidade sociais, mas erra à superlação o político (talvez pela falta de formação, apesar da indicação) ao acreditar que essa é a causa do PT (embora possa até ter sido, de fato, um dia), ou pior: que tal sigla seja a única a defender tal causa; que seja o melhor exemplo de tal defesa ou ainda que seja o exemplo mais digno de personificar tal causa ou sua defesa.

Acerta, em parte, o Filósofo ao identificar um possível ataque da mídia e/ou de alguns meios de comunicação ao partido criado com a pretensão de representar os trabalhadores assentado no discurso da ética e da integridade (qual um Davi subnutrido do proletariado a enfrentar o Golias da Elite econômica e intelectual), mas erra, em duas partes, o escritor ao se lançar ao simplismo de acreditar que tal ataque tem por explicação principalmente as “Lutas de classe e o Conservadorismo de Elites Dominantes”, segundo ele próprio, já superadas e em desesperada tentativa de sobrevivência.

Não enxerga o escritor que “A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão” possa ser, sobretudo, uma resposta da sociedade (e não só da mídia) à falência moral do partido que se arvorou de último baluarte nacional da integridade e da ética, cujo líder, no comando da nação após tanto esforço, após tantos sonhos, tantas expectativas, disse em alto brado “Eu sou o homem mais ético desse país” (menosprezando a ética de brasileiros como Chico Xavier, Rubem Alves, Leonardo Boff, Frei Beto, Reguffe e tantos outros) enquanto articulava aos cochichos o mensalão que hora está sendo julgado.

Acerta o respeitável ancião ao dizer que nossas elites econômicas e intelectuais atrasadas são mais interessadas em defender seus privilégios do que garantir direitos a todos, como qualquer outra que pretende manter o status quo por estar na mesma posição, mas erra o homem ao não perceber que essa atitude, se era esperada vindo das elites, era inadmissível vindo do baluarte da “esperança nacional” (imagem criada pela própria sigla, aparentemente no início para congregar esforços legítimos de representações nobres, hoje para criar ilusão e justificar os fins).

Um partido que, se a princípio nasceu da periferia, com vocação a tábua de salvação dos menos providos da sorte por empenhado discurso de ética e integridade, bem cedo se viu na mesma bancarrota da politicagem partidária, que uma vez reconhecida pelos verdadeiramente éticos do partido, os obrigava a abandoná-lo por malogro das suas aspirações mais virtuosas.

O que o escritor, enganado em sua boa fé, não percebe ao analisar a veemência do rechaço ao mensalão (não só da mídia, mas da população mínimamente esclarecida, excluindo, por justiça, a militância cega de qualquer lado), é que aquilo que ele identifica por mero ataque ao PT é na verdade, por chegada a hora, um basta ao mercantilismo de baldroca político e à vergonhosa forjicação da política em nome de uma ética inexistente que, governo após governo, partido após partido, geração após geração, teima em tomar nossos sonhos, desejos e ansiedade de justiça social de assalto!

Deixo aqui algumas perguntas de quem nunca foi simpatizante de partido algum e é parte de uma geração mantida no analfabetismo político, fomentado pela Ditadura Militar, que muito tardiamente veio a se politizar, mas que é filho de uma classe média conquistada a muito suor e imolação por pais que saíram da roça sem medo de enfrentar o trabalho e os estudos ao sacrifício pessoal. Perguntas de quem é radicalmente contra o radicalismo (seja político, religioso, social, científico ou filosófico):

1)    Você REALMENTE acredita que Lula não sabia de nada em relação ao mensalão?
2)    Porque as REALMENTE boas lideranças do PT foram alijadas do partido (por vontade própria ou contra ela)? (Erundina, Luiza Helena, Marina Silva e tantas outras)
3)    Como pode um partido viver à sombra de um Deus-Homem a quem REALMENTE tudo se desculpa por estar colocado acima do bem e do mal?
4)    A quem REALMENTE aproveita a (des)qualificação da crescente aversão do Brasileiro à politicagem há muito praticada por todos os partidos como mero ataque ao PT por “questão de lutas de classe ou conservadorismo da elite dominante”?
Caráter não se vende, não se compra, não se relativiza.
Segue sugestão de importante Leitura sobre Caráter e Corrupção:

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A organização da Sociedade Civil

                                                    
"Sozinhos somos presas, juntos somos predadores:
Sozinhos, sem pensar, somos presas fáceis.
Individualmente, mas pensando, somos presas difíceis.
Juntos, sem pensar, somos presas muito difíceis.
Juntos, pensando, somos predadores!
Juntos somos mais; pensando somos imbatíveis!" 
                                                                                  (Al'Camir) 


A Sociedade Civil, quando organizada, pode exercer a forma mais legítima de poder: aquele que se origina do povo, que é exercido pelo próprio povo e se exerce para o povo (sem interesses intermediários como o dos políticos e/ou partidos).
Atualmente existem sites como o Cidade Democrática[1] cuja iniciativa visa possibilitar a apresentação de propostas populares que beneficiem a própria população que as apresenta.
A maior contribuição desse tipo de site é possibilitar que as pessoas comecem a se organizar em torno de temas de interesse comum a todas elas. Mas é preciso estabelecer a regionalização dos interesses e propostas, pois as necessidades das pessoas de uma cidade (ou região) não são as mesmas das de outra.
A organização da sociedade favorece o poder de cobrança da população. A sociedade organizada (mais que a opinião pública), funciona como as cooperativas que aumentam muito o poder de barganha dos pequenos compradores, que só conseguem melhores condições de compra porque estão juntos.
A Organização da sociedade civil possibilita:
1)    a exigência de políticas públicas que beneficiem a sociedade;
2)    o aumento do poder fiscalizador do cidadão;
3)    a aproximação entre os representantes e seus representados (sob pena de perda da representação, logo, do cargo político);
4)    a substituição dos políticos (em última instância) que insistem em agir contra os interesses dos que eles deveriam representar, deturpando (ou usurpando) o poder que lhes é concedido por voto. (vide o caso Collor de Melo)
Essa organização da Sociedade Civil foi muito facilitada pelo recente avanço da tecnologia (últimos 15 anos) que permitiu a criação e proliferação da internet e mais recentemente das redes sociais, nas quais vivemos a era do Compartilhamento (posterior à era da Informação).
As redes sociais são a Vanguarda de uma Nova Política que cada vez mais permite a organização civil da sociedade em prol dos interesses da própria sociedade. Quiçá a ponto de impedir totalmente os desvios dos representantes que buscam a satisfação dos seus interesses individuais em detrimento do interesse público (daqueles a quem eles deveriam representar).
AS REDES SOCIAIS SÃO A VANGUARDA DE UMA NOVA POLÍTICA.
Encurtam distâncias entre os que pensam, os que agem, os que são!
Amilcar Faria

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Caráter e Corrupção

                                                                                                
"Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder". (Abraham Lincoln)


O Caráter não se compra, não se vende, não se relativiza!

Em nosso país a deturpação dos conceitos e dos valores  demonstram uma crise, que não é política, mas de caráter!

No Brasil, muitos teimam em dizer, como que para minimizar para si mesmos a vergonha da libido, que a carne é fraca. Enganam-se, ou tentam enganar a si mesmos e aos outros.

A maior fraqueza do homem não está na carne, mas no caráter (na mente). Um caráter bem formado e uma pré-disposição a agir corretamente diminuem a instabilidade e a incoerência humanas naturais!

Infelizmente para nós, e espero que apenas temporariamente (posto que tudo e todos são fadados ao progresso e ao aprimoramento), esse é o país do jeitinho que culmina na chamada lei de Gerson: é preciso levar vantagem em tudo.

Ainda Imperam no Brasil: a toleima; a corrupção; a falta de caráter, de compromisso, de brio e vergonha; a impunidade; a desilusão.

Ainda temos muitos políticos e até mesmo partidos (na figura de seus dirigentes) de ação perniciosa à sociedade. Políticos cujas alianças concretizadas não exigem somente mudanças programáticas, exigem mudanças de ideologia, de ideais, de partido... e até de caráter!


Mas não podemos nos esquecer que a falta de valores das pessoas que se tem eternizado no poder são reflexo da própria falta de valores do povo que, se por um lado critica a desonestidade dos políticos, por outro lado não age honestamente!

Agir honestamente é o que faz de alguém uma pessoa honesta, mas a banalização da malfadada lei de Gerson faz de muitos um desonesto que sequer vê sua conduta desonesta: não devolve o troco recebido a maior, consome produtos dentro do supermercado, acha-se no direito de não pagar passagem para sua criança maior de 5 anos no metrô ou no ônibus, manda dizer que não está ao receber um telefonema menos desejado etc.


A corrupção, na política, é a falta de caráter do representante aliada ao “apolitismo“ (falta de interesse pela coisa pública) do representado.

Mas o império da Corrupção termina onde inicia o império da punição!
 “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. (Rui Barbosa)
Apesar do que “profetizou” Rui Barbosa estar se realizando hoje em dia, é preciso não ter medo de ser íntegro, ético, honesto! É preciso não ter medo de ser um bom político e não relativizar valores!
É uma vergonha quando as pessoas relativizam seus valores, ainda mais quando em prol de interesses mesquinhos!
A maior felicidade do político deve ser a consciência limpa por agir em benefício dos que ele representa, sem se corromper ou se relativizar!
"O triunfo do caráter é mais difícil que o do poder, que o da verdade e que o do bem!" (Al'Camir)

Que possamos, todos juntos, mudar a cara da política no Brasil! Que possamos levar a ela os de melhor caráter!

Como também disse Rui Barbosa: maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Direito de Todos x o Direito de 1 só

                                                   
Foi apresentado na Câmara o Projeto de Lei (PL)[1] 3571/12, do deputado Edson Pimenta (PSD-BA) cuja proposta “permite retorno ao serviço público de servidores que perderam cargos em comissão em virtude de crime contra a administração pública; de improbidade administrativa; de aplicação irregular de dinheiro público; de lesão aos cofres públicos; de dilapidação do patrimônio nacional; ou e corrupção”.
A justificativa do referido deputado para apresentação de tão vergonhoso projeto de lei seria um artigo da lei 8112/90 que impede o retorno ao serviço público federal do servidor demitido ou destituído do cargo em comissão por uma das razões citadas, supostamente afrontando a Constituição Federal, que veda a aplicação de penas de caráter perpétuo. Não considerou minimamente o citado deputado, antes de apresentar projeto tão descaradamente acintoso à ética e aos anseios sociais, a necessidade da sociedade de eliminar os agentes políticos (concursados, comissionados ou eleitos) que, por envolvidos em corrupção, tanto mal tem causado à essa sociedade que ele deveria representar.

O caráter de RELEVANTE NECESSIDADE SOCIAL, aliada ao GRANDE POTENCIAL OFENSIVO DO AGENTE (dado o prejuízo à toda a sociedade) que justifica inclusive a pena de morte em caso de guerra e traição, justifica igualmente a referida pena reputada de caráter perpétuo.
A esfera Penal (cuja parte principal é o Estado) não pode ser confundida com as esferas Administrativa e Política/Eleitoral (cuja parte principal é a Sociedade), nem com a Civil (cuja parte principal é o indivíduo).
As penas de caráter perpétuo não podem ser aplicadas na esfera Penal por penalizarem, à desigualdade, o indivíduo em sua relação com o Estado (que é a parte principal por ser guardião dos direitos e deveres impostos pela lei, a quem assiste o direito de punir).
Contudo, tanto na área Administrativa quanto na Política/Eleitoral tais penas podem e devem ser aplicadas, porque em caso contrario penalizariam, à desigualdade, TODA a sociedade em sua relação com o indivíduo (notadamente ímprobo e/ou corrupto).
Na esfera Penal o Direito do Individuo (de liberdade) não pode sofrer perante o Direito do Estado (de punir), pela natural desigualdade existente entre o Indivíduo e o Estado. Contudo, na esfera Administrativa e Política/Eleitoral o Direito do Individuo (de liberdade de agir) não está em desigualdade com o Direito de cada um dos outros indivíduos: é o direito de um contra o direito de cada um dos outros todos (direito da coletividade), sem a desigualdade existente em relação ao Estado.
Portanto, para garantir o direito da coletividade, ou seja de cada um dos indivíduos, é preciso cercear definitivamente o direito do indivíduo quando este atentar contra o direito de cada um dos outros todos, como acontece na corrupção e na improbidade administrativa.
Inclusive deveria ir além dos referidos Agentes Públicos Concursados e Comissionados de forma a alcançar também os Agentes Políticos (eleitos).

A punição de inelegibilidade de apenas 8 anos quando o agente político é condenado por improbidade ou corrupção não é suficiente para garantir que o Agente Político não voltará a causar danos a TODA a sociedade, e deveria ser aumentada para pelo menos 24 anos (3 mandatos do Senado), embora o mais apropriado fosse sua exclusão definitiva da vida política de forma direta (PENA DE MORTE POLÍTICA).
A corrupção é crime hediondo porque mata o que mais precisa do amparo estatal (os mais pobres e mais desvalidos): o que morre na fila de hospitais, o que vira bandido por sem escola etc. 
"O império da Corrupção termina onde começa o império da Punição!" (Al'Camir) 
As redes sociais são a Vanguarda de uma Nova Política: elas encurtam as distâncias entre os que pensam, os que agem, os que são! Que a dor se transforme em ação de engajamento politico: candidatar para agir, votar no que merece, apoiar o integro! É mais que só o votar! É participar, se politizar, apoiar efetivamente os bons (quando houver), candidatar-se (quando não houver).
Corrupção é crime Hediondo: pena de morte política já!

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Poder e a Responsabilidade da Mídia

O Poder e a Responsabilidade da Mídia
                                          
“É impressionante como após as pessoas deixarem o poder, seus acusadores as deixam em paz”. (Pedro Lazaro Soares de Farias).
Na verdade é impressionante sim, mas é normal que isso aconteça. A disputa, TODA, é por poder. Por isso quem se lança à vida pública tem que estar preparado para as pedras que vão cair em seu telhado, e que ninguém se iluda: elas virão aos montes. E variam desde bolinhas de papel (sem referência velada a eventos políticos recentes) até monólitos de granito ou mármore (sem referência oculta a adorações religiosas fundamentalistas).
E se o telhado for de vidro, o estrago será enorme, porque mesmo quando não o é, as pedras vêm e causam estrago: vide a nota intitulada “A falência da ética” da Revista Istoé[1] sobre o Deputado Federal Reguffe (PDT-DF).
A nota fazia (foi retirada da rede após a repercussão do equívoco ou da má-fé) referência a suposta candidatura do deputado ao Governo do DF em 2014 (dando o tom de quem possa tê-la ventilado ou encomendado – se considerarmos a boa ou má fé por traz da ação do seu autor Cláudio Dantas Sequeira).

Ela AFIRMAva que ele foi funcionário fantasma do Senado, nomeado por atos supostamente secretos de Agaciel Maia e do tio e Senador Sérgio Machado. Questionava (ardilosamente insinuando suspeita) inclusive uma suposta quitação de débitos eleitorais sem o respectivo desembolso próprio.

Em nota pessoal[2] o Deputado Reguffe rebate a nota (em minha opinião, irresponsavelmente divulgada, porque se ao invés de simplesmente publicar a acusação tivesse arguido o acusado, teriam visto que a matéria não se sustentava ou ao menos, agindo responsavelmente, teriam apresentado as duas faces da acusação), mas o fato é que algum estrago tal nota há (houve à época) de provocar porque, como todos sabem, no Brasil acusa-se em reportagem de capa e retrata-se em nota de rodapé de penúltima página.
É fato que não se pode coadunar com quem é corrupto ou com quem se deixa corromper.
Não se pode deixar de investigar TODAS e QUAISQUER acusações; Mas também não se deve acusar levianamente (só para aumentar o Ibope) sem se preocupar em ser SOCRÁTICO (comprometido com a verdade) para ser tão somente SOFISTA (comprometido com a argumentação, com a publicidade e com interesses comerciais – quando não políticos).
Mas, se por um lado é fato que não se pode coadunar com a corrupção, é fato que também não se pode coadunar com a IRRESPONSABILIDADE na mídia. Principalmente quando diz respeito ao nome e à reputação que, se para o homem comum já deveria representar um valor a manter, para o homem público representa o MAIOR valor a manter.
Os meios de comunicação devem ouvir os dois lados (acusador e acusado) ANTES de darem publicidade à acusação, como forma de demonstrar seriedade e compromisso.
Esse tipo de compromisso com a verdade dos fatos, e não com a pirotecnia das acusações, é que deve ser exigida pelas pessoas de raciocínio critico. (notadamente as de maiores oportunidades intelectuais e educacionais).
Também é fato que se por um lado é deplorável a condenação irresponsável por parte da Mídia, por outro lado é ainda mais deplorável a não responsabilização criminal dos corruptos (sem falar no tempo decorrido - 7 anos, no caso do mensalão, por exemplo - por artifícios e estratégias tão criminosas, por imorais apesar de legais, quanto o próprio crime).
A primeira depõe contra a Midia (imprensa, rádio, tv etc), instituição privada (que por vezes coloca a ética na privada); a Segunda depõe contra O ESTADO (Governo, JUDICIÁRIO), instituição Pública (que nunca poderia colocar a ética na privada, mas antes deveria colocá-la PÚBLICA: DO povo, PARA o povo, PELO povo)!
Já é hora da mídia agir com mais responsabilidade sobre a forma como divulga suas notícias.
Se com grande poder vem, necessariamente, grande responsabilidade, o grande poder da mídia precisa ser modulado pela grande responsabilidade que dele se origina.
Para isso é necessário que os profissionais responsáveis pela divulgação (redatores, editores etc) priorizem o profissionalismo e a ética dos que fazem suas notícias, e não deem espaço aos que vendem suas opiniões, suas consciências e suas responsabilidades (só porque saibam altear o texto, qual profissão de fé a serviço do vício em detrimento da virtude).
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Discurso final do filme de Charles Chaplin "O grande ditador".


Schultz: Você deve falar.

Barbeiro: Eu não posso.

Schultz: Você deve, é a nossa única esperança.

Barbeiro: Desculpem, Mas eu não quero ser um imperador. Esse não é o meu ofício. Não quero conquistar, nem governar ninguém. Eu gostaria de ajudar a todos sempre que possível. Judeus, não-judeu, negros e brancos.

Todos nós queremos ajudar uns aos outros. O ser humano é assim. Nós queremos viver da felicidade dos outros e não do sofrimento. Não queremos odiar e desprezar uns aos outros. Nesse mundo tem lugar para todos, a terra é boa e rica e pode alimentar a cada um. O estilo de vida poderia ser livre e lindo, mas nós nos perdemos no caminho.

A ganância envenenou a alma do homem. Criou uma barreira de ódio, nos guiou no caminho do assassinato e do sofrimento. Nós desenvolvemos a velocidade, mas nos fechamos em nós mesmos.

Máquinas que nos dão abundância nos deixaram em necessidade. Nosso conhecimento nos fez cínicos. Nossa inteligência nos fez cruéis e severos. Nós pensamos muito e sentimos pouco. Mais do que máquinas, nós precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, nós precisamos de bondade e gentileza. Sem essas qualidades a vida será violenta, e tudo será perdido.

O avião e o rádio nos aproximaram. A natureza dessas invenções grita em desespero pela bondade do homem. Grita pela irmandade universal e a unidade de todos nós. Mesmo agora que minha voz está alcançando milhões pelo mundo, milhões de homens, mulheres e crianças desesperadas, vítimas de um sistema que faz o homem torturar e prender pessoas inocentes.

Para aqueles que conseguem me ouvir, eu digo: Não se desesperem! O sofrimento que está entre nós agora é só a passagem da ganância, o amargor do homem que teme o progresso humano. O ódio do homem vai passar e os ditadores morrerão. E o poder que eles tomaram das pessoas, vai retornar para as pessoas.

Enquanto os homens morrerem, a liberdade nunca se acabará.
 
Soldados não se entreguem a esses homens cruéis. Homens que desprezam e escravizam vocês, que querem reger suas vidas e lhes dizer o que pensar, o que falar e o que sentir. Que treinam vocês e que os tratam com desprezo para depois serem sacrificados na guerra. Não se entreguem mais a esses desumanos.

Não se entreguem a esses homens artificiais. Homens-máquina, com mentes e corações artificiais. Vocês não são máquinas, vocês não são gado. Vocês são Homens! Vocês tem o amor da humanidade dentro do coração! Vocês não odeiam! Só os que não são amados odeiam e seu desamor não é natural! 
 
Soldados, não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito: “O reino de Deus está dentro do homem”, não de um homem e não de um grupo de homens, mas em todos os homens, em você! Vocês, as pessoas, tem o poder!

O poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vocês, as pessoas têm o poder de fazer essa vida linda e livre, de fazer dessa vida uma aventura maravilhosa. Então, em nome da democracia, vamos usar esse poder, vamos todos nos juntar!

Vamos lutar por um mundo novo!

 
Um mundo decente, que vai dar ao homem uma chance de trabalhar, que vai dar o futuro à juventude e a segurança aos idosos. Prometendo isso, os cruéis vieram ao poder, mas eles mentiram, não cumpriram sua promessa, eles nunca vão. Ditadores libertam eles mesmos, mas eles escravizam as pessoas. Agora vamos lutar para cumprir essa promessa.

Vamos lutar para libertar o mundo, para sumir com as barreiras nacionais. Para sumir com a ganância, ódio e intolerância. Vamos lutar por um mundo de razão. Um mundo em que a ciência e o progresso vão levar à felicidade de todos.
Soldados, em nome da democracia, vamos todos nos unir!



Hannah está me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! 
Vê Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade.
Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fazer melhor e pior ao mesmo tempo!


                                            
O desenvolvimento sustentável é uma necessidade mundial. As necessidades mundiais são a soma das nacionais. Para contribuir com o desenvolvimento sustentável do mundo precisamos começar pelo nosso.
Segundo o professor Ricardo [Abramovay][1], no tocante ao desenvolvimento sustentável:
O maior desafio da governança contemporânea, é fazer mais e menos, ao mesmo tempo.
É imensa a pressão de novos consumidores sobre os ecossistemas, apesar do avanço científico e das inovações tecnológicas terem permitido fazer mais com menos. Contudo, por mais se intensifique a inovação, ela não será capaz de compensar os efeitos do crescimento econômico acelerado porque os ganhos de eficiência são contrabalançados pelo incremento no consumo e na produção.
Não há governança do desenvolvimento sustentável sem atacar as desigualdades, não só de renda, mas do uso de recursos naturais cada vez mais escassos, e cuja exaustão ameaça a própria vida social.
Segundo ele, precisamos fazer MAIS (EDUCAÇÃO, saneamento, acesso à água e energias modernas) e também fazer MENOS (emissões; carros; CONSUMO de produtos, materiais e água; alimentos não saudáveis), mas a governança atual, que até tem aprendido a fazer MAIS, ainda não aprendeu a fazer MENOS.
Não obstante a concordância com o argumento defendido pelo professor seja inelutável, acredito que, sob outra perspectiva, talvez a governança ainda não tenha aprendido a fazer menos porque  NÓS ainda não aprendemos a fazer melhor e pior ao mesmo tempo. Precisamos fazer MELHOR a governança (governo) assim como precisamos fazer PIOR a falta de envolvimento político.
Precisamos fazer MELHOR (POLÍTICA, EDUCAÇÃO, ciência, saúde, segurança) e PIOR (POLITICAGEM, idolatria ao futebol ou religiosa, falta de valores). No Brasil fazemos, talvez bem demais (daí a necessidade de fazer pior), a politicagem; a idolatria ao futebol, ao carnaval ou a uma religião (sempre intolerante e dona da verdade absoluta em detrimento das demais religiões).

Para conseguir fazer o MAIS e MENOS o principal investimento, por basilar aos demais é a EDUCAÇÃO!
Para conseguirmos fazer o MELHOR e PIOR o principal investimento, por basilar aos demais é a POLÍTICA!
Se na economia temos vivido, desde a revolução industrial, a ditadura do consumo, na política estamos vivendo, desde a retomada da nossa jovem democracia, a ditadura da corrupção, fato comprovado pelo crescente número de escândalos de corrupção que tem assolado nosso país.
Tal corrupção parece não depender mais de corrente ideológica política, de raça, de credo religioso, de idade ou até de partido e é fruto de uma generalizada falta de politização da população. Essa despolitização é explicada, em alguma parte, pelo longo período de ditadura militar que desfavorecia à tortura as iniciativas políticas.
Mas é importante lembrar que o império da corrupção termina onde começa o império da punição.
Tão importante quanto fazer MAIS e MENOS é fazer também MELHOR e PIOR ao mesmo tempo.
Há que se notar que algumas ações frutificam não só no mais e menos quando no melhor e pior, mas a principal delas é a educação.
Só a EDUCAÇÃO (mais e melhor) pode tornar o Brasil um país desenvolvido, com qualidade de vida para todos nós!
E não adianta querer um país melhor PARA MIM, porque enquanto ele não for melhor PARA NÓS, ele não será melhor PARA NINGUÉM!

Por isso defendo algumas ações que podem começar a surtir efeito para uma MUDANÇA NECESSÁRIA e são elas:

1) que nos mobilizemos para uma efetiva melhoria dos investimentos em educação integral: desde a educação de base até a superior, passando pela profissionalizante, nos moldes do que fez o Japão: com extrema vinculação e aproximação da escola com as indústrias;
2) que as pessoas se interessem mais por política: não pela politicagem praticada nos moldes de hoje. Que escolham as pessoas íntegras e honestas (existem alguns exemplos como o Reguffe-DF, Carlos Sampaio-SP) e que se não encontrarem bons candidatos, que mais pessoas íntegras se candidatem para fazer a diferença;
3) que as pessoas acompanhem mais de perto seus candidatos eleitos: e cobrem deles ações efetivas em prol do que acreditam. Hoje, com um click do mouse você consegue acompanhar seu representante “como nunca antes na história desse país”; [Projeto EXCELENCIAS][2]
4) que cobremos voto aberto e nominal para todas as votações parlamentares: o representante deve absoluta transparência a quem ele representa. O controle dos eleitores é imprescindível para que os políticos se mantenham fiéis aos seus representados e tal controle só se dá quando o eleitor tem acesso a TODAS as posições e votações dos que o representam;
5) que nos mobilizemos pela “PENA DE MORTE POLÍTICA”: SE CORRUPTO, NUNCA MAIS SERÁ ELEGÍVEL. Atualmente a punição de suspenção de direitos políticos é de 8 anos, mas sendo a CORRUPÇÃO UM CRIME MAIS QUE HEDIONDO porque mata o mais necessitado, aquele que mais precisa do amparo do estado, tal punição deveria ser de no mínimo 20 a 30 anos!
As redes sociais são a Vanguarda de uma Nova Política. Encurtam distâncias entre os que pensam, os que agem, os que são!
Mobilizemo-nos então para MAIS e MELHOR: EDUCAÇÃO e POLÍTICA!


[2] Projeto excelências do Portal da Transparência: http://www.excelencias.org.br/