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domingo, 17 de novembro de 2013

Está sem discurso, não veio a utopia, e tudo mofou.

                                                                                       
 “Fim algum é suficientemente nobre para justificar o uso de um meio torpe para alcançá-lo!” (Al’Camir)
                                                                                       
O jornalista, escritor e ex-preso político Celso Lungaretti, em seu texto (E agora, Josés?), publicado no site Congresso em Foco no sábado último (16/11/2013), referindo-se a Zé Dirceu e José Genoíno fez algumas colocações que suscitam maiores reflexões.
  
Segundo ele, “a prisão sempre foi um acontecimento normal na vida de um revolucionário”, que não tem do que se envergonhar (com o que eu concordo) por ser preso por tentar abolir a exploração do homem pelo homem.

Mas o que não é normal, e que deve vexar qualquer consciência, é uma pessoa que já teve tantos ideais ser preso, não por tê-los, mas por deixar de tê-los. Porque só alguém sem ideais públicos e sem a compreensão da importância da troca periódica do poder (para a democracia) pode engendrar e tentar executar a perpetuação de um plano de poder particular, ainda que partidário. Não é uma democracia fortalecida o que querem alguns Josés.

O ex-preso político diz não concordar “com a decisão de alegarem inocência, que é a mesma de quase todos os criminosos comuns”, mas deixa de considerar que para assumir a responsabilidade de suas ações a pessoa precisa estar sob a proteção de algum escudo, seja o da lei, seja o dos ideais, seja o da verdade, seja o da consciência limpa (e convicta), seja o da virtude. Talvez nenhum escudo conseguisse lhes justificar o injustificável perante a própria consciência.

Acredita, em atitude bastante humana, “que é praticamente impossível governar o Brasil sem comprar o apoio da ralé parlamentar, seja com pastas e cargos, seja com grana”, mas esquece que para ser realmente revolucionário é preciso enfrentar obstáculos e não aliciar corruptos, confrontar dificuldades e não cooptar inescrupulosos, é preciso ser protagonista do bem comum e não coadjuvante do mal privado.

Disse, qual sociólogo insipiente, “que, bem vistas as coisas, era melhor fazê-lo com dinheiro do que colocando raposas para cuidarem de galinheiros” porque “as maracutaias se multiplicariam como cogumelos”. É fato que se multiplicaram, mas onde terá nascido a semente desse mal? E por que, tendo o poder em suas mãos, não o combateram? Antes, aliaram-se a ele.

Analisou politicamente que “cometeram um grave erro político, ao cederem à chantagem dos podres, incorrendo em ilicitudes para terem com que pagar a eles. Mas, não foram movidos pela ganância.” Mas desconsidera o velho ditado popular que diz que “quando um não quer dois não brigam”. Os hoje condenados tiveram, preservada desde sempre, sua liberdade de escolha e o mau uso dessa liberdade lhes custa, agora, uma outra liberdade.

Sugeriu, como simpatizante, “que assumissem suas responsabilidades, tratando, em seguida, de levar ao conhecimento do povo o MAIS IMPORTANTE NISSO TUDO: o fato de jamais terem levado ou pretendido levar vantagem pessoal”, E aqui comete o engodo mais sutil: fugir à responsabilidade dos próprios atos alegando que não intencionavam vantagem pessoal, mas vantagem a um partido ou a um plano de perpetuação de poder.

A sutileza do engodo é tentar desviar o foco para quem teria sido o beneficiado, quando o foco deve ser mantido em quem terá sido o prejudicado pela conduta repreensível.

O prejudicado foi o povo, por ataque direto à democracia; foi o militante, pelo contra-exemplo de conduta dos seus ídolos (ex-herois); foi a população, pela queda no vazio comum politiqueiro de quem chegou ao poder alegando a diferenciação ética (só estética); foi a esquerda, empurrada para a vala comum da politicagem em detrimento da ideologia.

Esconde o escritor uma máxima universal: “Fim algum é suficientemente nobre para justificar o uso de um meio torpe para alcançá-lo!” (Al’Camir)

Assegurou o estrategista sobre as frentes jurídica e política do embate que, “por terem esquecido que a conquista dos corações e mentes deve estar sempre em primeiro lugar, os petistas acabaram derrotados nas duas frentes”, mas desconsiderou, no seu erro mais grave, que o que deve estar sempre em primeiro lugar é a retidão de caráter.

Erraram os Josés.

Como seres humanos merecem nossa compaixão, apesar da punição (todos somos suscetíveis ao erro, principalmente os que se envolvem no poder).

Como modelo de conduta, ídolos seguidos por muitos, merecem a execração, pelo mal causado a quem merecia ter um modelo digno para seguir.

 “Mas o mais triste de tudo é precisarmos julgar e encarcerar um ser humano, porque ele não aprendeu a SER, só a ter (poder).” (Al’Camir)

“E agora José?

A festa acabou,
...
Está sem discurso,
...
não veio a utopia,
...
e tudo mofou.”
(Carlos Drummond de Andrade)
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgqYFjzlqhG0qDKHxbWZGBA85TvBWm4KjuXpwAFaHH3SWc4XymJLKMqHukX6TVWc5IGmPmuIYFtiqRRLQh4PJV4hE2aGbZLNwoFqNshnN5MrJ1T2ZL7SVEDgOz9wXa4Om0MRwyLSdEwhwg/s640/e_agora.jpg&w=448&h=600&ei=A8GLUtboKMnPsASx3YCYBg&zoom=1&ved=1t:3588,r:3,s:0,i:97&iact=rc&page=1&tbnh=192&tbnw=145&start=0&ndsp=4&tx=79&ty=75


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Leia também:



O leilão de um só! (Ilustrado no blog do autor)

Combate à Corrupção:




Solidariedade:


Controle Social da política e dos gastos públicos:


Conscientização Política:









terça-feira, 29 de outubro de 2013

O leilão de um só!

                                                                                       

"Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem." (Bertold Brecht)
                                                                                       
Leilão: modalidade de venda na qual se aliena (vende) um bem por concorrência pública entre pessoas interessadas, a partir de um valor mínimo estabelecido por uma avaliação prévia do bem.


Essa modalidade é caracterizada pela concorrência, ou seja, pela participação de diversos (mais de um) interessados que dão lances crescentes pelo bem que está sendo vendido até que todos os demais concorrentes desistam de dar lances. Também caracterizam essa modalidade: a assimetria de informações entre os participantes; a avaliação prévia (anterior ao leilão) do bem que está sendo vendido, que determina o valor mínimo (lance inicial) do bem.

Após tal definição didática (fácil de entender) resta comprovado que a "venda" do campo de Libra, de exploração do petróleo na camada abaixo da profunda camada de sal (pré-sal) que existe abaixo do solo marinho (7000m) é o mais novo exercício de criatividade sofista (ginástica verbal criativa) do partido “de direita” que está no poder há 12 anos.

O grupo que ora se encontra no poder, entre outros arroubos, sempre acusou o grupo anterior de ações inescrupulosas (entre elas as privatizações), mas tão logo assumiu o poder, passou a realizar as mesmas ações, mudando apenas o nome da ação, em exercício de “contabilidade criativa” e de “criatividade sofista” (ao chamá-las “Concessões”).

Interessante como um determinado grupo usa de distorções linguísticas para maquiar suas próprias ações (ou inações). Corrupção generalizada passa a ser mero malfeito (e usando definições do próprio grupo a que se opunha à veemência); privatizações passam a ser concessões; maquiagem contábil e fiscal passa a ser contabilidade criativa; ética passa a ser... bem, deixa pra lá.

Mas o terreno das definições e dos conceitos é tão socraticamente árido quanto sofisticamente fértil. É difícil definir ou conceituar corretamente o evento que privatizou o campo de Libra.


Não pode ser dito leilão, pois não havia concorrência; Não foi doação, pois a Petrobrás terá que pagar 6 Bilhões, mesmo quase beirando a falência (a menos que vá pagar com dinheiro do BNDES, o que parece mais provável, aí seria doação do povo brasileiro para a iniciativa privada, como no caso da OGX); não foi venda direta, pois a legislação assim o proíbe.

O mais difícil mesmo é entender o que passa pela cabeça da presidente, ou seja, daquela que deveria ser a primeira cidadã, ao dizer que o “Leilão” de Libra foi um sucesso. Até gostaria de acreditar que fosse ingenuidade e não má-fé, que fosse desconhecimento e não subversão da realidade, que fosse eu o incapaz de entender e não eles os (in)capazes de tentar enganar (como se fôssemos todos burros e ignorantes).


Se não houve concorrência, se a alienação do bem foi feita pelo lance mínimo, se a parceria do consórcio ganhador é duvidosa, se o pagamento do valor mínimo pode quebrar a Petrobrás no presente, se o porte do investimento a ser feito pode quebrar a Petrobras no futuro, onde o sucesso?


Se a sociedade se mobiliza pedindo educação, saúde e transporte público de qualidade e contra a privatização do petróleo, se tal empreitada vai contra os desejos da população e dos que formam a própria Petrobrás (e que tem conhecimento técnico do erro estratégico), onde o sucesso?

 



Se o mundo caminha a passos largos para o uso de energias renováveis e limpas, se a Petrobrás está deixando de investir nesse novo mercado para investir ainda mais no uso do combustível fóssil, se não há certeza de atravessar a camada de sal sem causar o maior desastre natural da história, se não há sequer um plano de contingência de desastres que não o criado a toque de caixa só para responder a um casuísmo conveniente, onde o sucesso?

 X 

Parafraseando o famoso seriado de décadas atrás (Arquivo X): o sucesso está lá fora.

Fora do militantismo burro (por cego e surdo); fora do maniqueísmo ultrapassado Direita x Esquerda; fora do monopólio da representação pelos partidos políticos (corroídos e carcomidos); fora da total ausência de valores institucionalizada na política como na sociedade; fora da perniciosa perpetuação da lógica política do poder pelo poder.

Já esse “leilão” pode ser considerado um grande sucesso: o leilão de um só!

Um só, que foi vendido pelos interesses particulares dos que se perpetuam nos malfeitos da corrupção política, em ambos os lados do seu espectro (esquerda e direita). Um só que é feito refém da própria incapacidade de discernimento por falta de educação, saúde, transporte, segurança. Um só, abandonado à sua própria sorte por quem finge representá-lo, mas que só faz vilipendiar sua confiança e usurpar sua riqueza.

Um só, que foi leiloado por todos os que fazem a velha política, suja, clientelista, fisiológica, inescrupulosa, sem ética, sem compromisso com a coletividade. Esse que, mesmo sendo muitos, agora é um só (unido na solidão): o povo!

Esse tem sido leiloado com sucesso absoluto!








quarta-feira, 9 de outubro de 2013

                                                                                      

"A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano." (Voltaire)
"Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem." (Bertold Brecht)
"Em política não se escolhe a companhia." (Nils Kjaer)
                                                                                       
Algumas pessoas, notadamente alguns partidários da ideologia e dos sonhos que representa a rede sustentabilidade, têm tido dificuldades de enxergar o ato da filiação democrática da ex-senadora Marina Silva ao PSB, para além da ilusória aparência de mero pragmatismo político, no último dia permitido pela atual legislação eleitoral para lançar candidatura ao pleito de 2014.



Alguns, mais fundamentalistas na ideação de construir uma nova política, uma nova maneira de conduzir a política, que deveria carregar nossas aspirações, esquecem-se ou desconhecem que não se constroi uma nova política sem estar dentro da política e não se está dentro da política se não usarmos as atuais regras dessa velha política.

Tanto é assim que o movimento nova política, ou um grupo de pessoas dele oriundo (e não dele dissidente), decidiu criar um partido político, por entender que a melhor mudança possível é a que vem de dentro para fora pela força das ideias cujo tempo já chegou, ao contrário da mudança que vem de fora para dentro pela força das armas cuja paciência já esgotou (a exemplo do movimento que já até se iniciou nas atuais manifestações de rua pelo Brasil afora).

Em um único movimento, a ex-senadora Marina Silva conseguiu manter sua discussão programática para o pleito de 2014, manter a visibilidade do programa que os nós da #rede queremos e precisamos, sem se vender ou corromper a ideologia de uma nova política.
Candidato algum que almejasse apenas seu próprio plano de poder e tivesse 26% de intenções de voto apoiaria a candidatura de outro com apenas 8%, mesmo que fosse para lhe servir de vice, e isso sequer foi cogitado.

"A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes". (Winston Churchill)
O que ela fez foi usar as armas da velha política contra ela mesma:

1)    conseguiu manter-se disponível como candidata ao pleito de 2014;

2)    conseguiu dar a resposta ao TSE que por aparelhamento do estado se recusou a dirimir deficiências de órgãos seus que invalidaram sem a constitucional obrigatoriedade de motivação expressa cerca de 95mil assinaturas de apoio à rede;

3)    conseguiu dar resposta a quem a acusa de não ter posição apenas porque ela se recusa a se enquadrar na falaciosa dicotomia direita/esquerda (mostrou que sua posição é pela sustentabilidade);

4)    mas o mais importante, conseguiu manter a visibilidade, a discussão e a possibilidade de aprimoramento de um programa de governo cujas bases estão nos anseios de todos nós que somos os nós da rede sustentabilidade.

Ela conseguiu manter-se no jogo político com uma jogada de total fair play, preocupando a situação, da qual ela própria dissidiu ao entender que seu objetivo único, desde que galgou o poder, passou a ser a manutenção do status quo; conseguiu desassossegar a oposição que sonhava manter a nefasta polaridade PT/PSDB na alternância do jogo sujo do “poder pelo poder” e dava como certa sua incapacidade de manter sua visibilidade e capital político, intencionando cooptar esse capital pelos meios que fossem necessários; e conseguiu criar uma tsunami no jogo político que já era dado como uma “marolinha” pelos especialistas políticos de parte a parte.

E não foi sem custo que a instabilidade criada por ela, mesmo sendo a jogada política mais bem feita da última década, que superou em muito o abraço “fraterno” de Lula em Maluffno jardim da própria mansão do execrado corrupto (segundo a ótica PT-Lulista antes de ser situação) por não afrontar valores pessoais ou coletivos como o fez o referido abraço.

Michail Bakunin (1814-1876). Foto de arquivo

"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana." (Michail Bakunin - revolucionário anarquista russo)

Tão grande foi a instabilidade criada que ameaça a perda de muitos bons quadros da militância da #rede, que se recusa ou não alcança entender ou enxergar a profundidade e a importância de manter a visibilidade sobre o programa que queremos, enquanto continuamos a formação do partido que ainda não conseguimos, por incapacidade do mais alto tribunal eleitoral em reconhecer e redimir o erro de órgãos seus (invalidação de 95mil assinaturas de apoio sem a constitucionalmente obrigatória motivação dos atos da administração pública, notadamente as que cerceiam direitos).

Mesmo pessoas com razoável entendimento político teimam não enxergar que somos rede, ainda que incubados (filiados) em partidos solidários, como o foram tantas ideologias partidárias (partidos clandestinos) durante o período mais grotesco da nossa história (a ditadura militar) em que se cassou a democracia.

A única diferença é que somos o primeiro, queira Deus sejamos o único, partido arremessado na clandestinidade em pleno regime democrático de direito. E é a mesma falta de democracia que gera tal distorção: antes causada por uma ditadura militar; agora causada pelo aparelhamento dos poderes de estado, seja pela falácia da coalizão no fatiamento do estado em prol de pretendida governabilidade (a cooptar o legislativo), seja por indicações dos advogados do rei para as mais altas cortes (a cooptar o judiciário).


Em política, perseguir um homem não é apenas engrandecê-lo, mas também justificar-lhe o passado. (Honoré de Balzac)

AMILCAR FARIA, 44, é servidor público federal, diretor de Programas de Controle Social do Instituto de Fiscalização e Controle, membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e ativista autoral da rede sustentabilidade.