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domingo, 27 de janeiro de 2013


                                                           
 Dizem que o que não mata, engorda, mas quando o assunto é a legalidade, a lei que não "pega", entorta.


Todos percebem que uma lei que não pega é morta, mas o que poucos conseguem perceber é que se um sistema legal começa a abrigar a lei morta ele se entorta.  O sistema legal é o conjunto de leis que determinam a conduta (fazer e não fazer) das pessoas, é o balizador do direito. Quando ele passa a conter a lei morta, o direito perde suas balizas, e o que deveria ser o direito balizado passa a ser o erro instituído.

Embora exista um poder instituído, supostamente representante do povo, posto que eleito por ele, cuja função é criar as leis que determinarão o fazer e o não fazer de todo este povo, não é incomum verificar o descolamento dos representantes dos anseios e necessidades dos supostamente representados.

Prova disso é o fato de, por vezes, as necessidades e anseios populares precisarem ser defendidos de forma direta, por leis de iniciativa popular, das quais a LEI DA FICHA LIMPA ou  LC nº. 135/2010, cujo principal objetivo era o aumento da idoneidade dos candidatos, é a principal representante.

Embora a Lei da Ficha Limpa seja um marco no nosso sistema legal e seja de extrema importância como um primeiro passo para a moralização do nosso sistema político, a lei em si tem menor importância do que a ideia por trás dela, a ideologia que a motivou: TODOS os que se arvorem de representar o povo precisam comprovar serem pessoas idôneas, terem reputação ilibada e NUNCA terem agido contra o decoro parlamentar, mesmo antes de serem parlamentares.

Dito isso, cabe um questionamento sério: que moral teria junto ao povo uma casa legislativa, formada por quem deveria representar esse mesmo povo, cujo próprio presidente, que seria o representante maior dessa casa, não tivesse a ficha limpa?

Como diz uma máxima da democracia: à mulher de Cézar não basta ser honesta, é preciso parecer honesta. Mas a "honestidade" está em atender a todos os princípios legais, e não atende à legalidade da Ficha Limpa um presidente que tenha tido o mandato cassado, ou tenha renunciado para evitar a cassação ou tenha sido condenado por decisão de órgão colegiado (com mais de um juiz), mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos.

Reputação ilibada é nunca ter apresentado notas fiscais falsificadas para comprovar patrimônio incompatível com a renda, é nunca ter recebido dinheiro em troca de favorecimento político, tendo ou não concretizado o favorecimento (Corrupção é receber para favorecer, e não concretizar o favorecimento).

Por estes e por outros motivos é que a sociedade não pode, não quer e não vai se calar frente à tentativa do próprio poder que legisla em tornar morta uma lei nascida por iniciativa popular, surgida de uma necessidade social e motivada pela premente e necessária moralização do sistema político do nosso país: a lei que tenta assegurar a idoneidade dos homens públicos no Brasil, que não pode continuar a ser o país do futuro nem do jeitinho brasileiro.

Não permitam que matem a lei, para que essa morte não entorte mais o nosso sistema legal, que visa aprimorar nosso sistema político e social! Nós, o povo, contamos com vocês para nos representar de fato (não só de direito) e não permitir que as casas do povo (Câmara e Senado) sejam comandadas pela ficha suja dos políticos da velha política: oligárquica, coronelista, carcomida, corrompida, que legisla em benefício próprio e contra os que ela deveria representar!


Leia também:
Movimentos anticorrupção vão lavar rampa do Congresso contra Renan:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2013/01/26/movimentos-anticorrupcao-vao-lavar-rampa-do-congresso-contra-renan-483986.asp

------ FIM ------


Considerando que podemos combater o bom combate buscando paz e a igualdade através da solidariedade, da conscientização política, do controle social da política e dos gastos públicos, do combate à corrupção, da orientação da economia para a sustentabilidade, da distribuição de renda e da educação integral do ser humano, seguem links para textos que podem ajudar nesse bom combate:

Solidariedade:



Combate à Corrupção:




Controle Social da política e dos gastos públicos:


Conscientização Política:









Orientação da Economia para a Sustentabilidade:


 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Importância da Obrigatoriedade do Voto


Nos tempos atuais, em que muito se fala sobre a tão necessária reforma política no Brasil, e que já se faz tardia, como o demonstram os muitos e absurdos desvios políticos ocorridos nos últimos 20 anos (mensalão  do PT, do PSDB, do DEM etc.), vários tópicos tem sido debatidos como necessários para o aprimoramento do nosso processo democrático, político e partidário.
Entre esse tópicos, alguns se destacam pela importância, pela relevância ou pelo impacto na atual forma de se fazer política no país (que muito propicia a corrupção generalizada, o fisiologismo e clientelismo políticos e a falta de ética e integridade humanas e partidárias), mas entre os mais discutidos está o Voto Obrigatório.

Na vida de relação (aquela em que vivemos em sociedade),o direito (liberdade) de cada um não pode ser aboluto, como forma de garantir o direito de todos. O direito de um precisa terminar onde começa o direito do outro (gostemos nós ou não).

Isso não é cersear direitos individuais para levá-los à servidão, é ceifar mera parcela do direito de cada um (indivíduo) para garantir o direito de todos (a coletividade)

Não obstante o movimento em defesa do fim da obrigatoriedade do voto contar em suas fileiras uma infinidade de pessoas de boa fé, muitas com razoável nível de esclarecimento, várias já ocupantes de cargos eletivos, e algumas bastante aguerridas em seus pontos de vista (nós mesmo cerrávamos essas fileiras até iniciar processo mais acurado de politização pessoal), o fim da obrigatoriedade do voto é um grande equívoco.


Mesmo na França, cuja democracia é muito mais antiga que a nossa e onde o voto não é obrigatório já há muito, existe um forte movimento, encabeçado por filósofos e cientistas políticos, em defesa da volta da obrigatoriedade do voto, devido à sua importância para o processo democrático.

DEMOCRACIA é a participação do povo (de todos) no processo de poder (através da escolha dos mandatários), ainda que tal participação precise ser garantida de forma obrigatória (obrigatoriedade do voto).


Se há participação de todos, é Democracia, se não há participação de todos, não é ou tende fortemente a deixar de ser Democracia!


A não obrigatoriedade do voto poderia levar, em caso mais extremo, a uma ditadura de poucos (20% ou menos poderiam decidir por 80% ou mais), uma vez que as pessoas, descrentes da política e não sendo obrigadas a votar, vão se abster do voto e deixar as escolhas para os interesseiros que, exatamente por terem interesses escusos, se arregimentarão por estes interesses!

Sem falar que, não sendo mais obrigatório, e conseguindo eleger com pouca representatividade de votos, não seria difícil ocorrer o "voto de cabresto" (hoje com uma variante intitulada “voto de cajado”) nos rincões interioranos do país, onde ainda existe forte o coronelismo.

Bastaria ordenar que ninguém fosse votar e colocar um olheiro nas seções eleitorais e verificar quem contraria a ordem, para posterior acerto de contas; ou mesmo o mais tradicional: colocar todas as suas "ovelhas" em um "pau de arara" (ônibus ou caminhão velho) e levar para votarem no candidato do "coronel".


O Forum Senado 2012, importante iniciativa de fazer pensamento crítico e conhecimento político no parlamento Brasileiro ocorrido entre os meses de junho a agosto desse ano,  trouxe Filósofos, Cientistas Políticos, Autores Publicados e profissionais diversos para debater "A Democracia em tempos de mutações - (atual)” e foi notória a defesa do voto obrigatório porque "A participação dos cidadãos no dia a dia da política é tão importante para a democracia que justifica até mesmo o voto obrigatório", conforme disse o Filósofo Político Francis Wolff.


Há que se concordar que votos de protesto são um sintoma da obrigatoriedade do voto aliada à falta de opção e desilusão com a política, mas há de se convir que o voto de protesto é (como sempre foi) mínimo e não chega a impactar o processo democrático ou a representatividade!

Quando o administrador público tem o poder de tomar certa ação, pela prerrogativa que lhe é concedida, mas ao mesmo tempo o dever  de tomá-la, sob pena de responsabilização, dizemos que há um poder-dever do administrador.

O Voto, de maneira análoga, tem dupla caracterização: é um direito-dever.  

É direito porque conquistado nas lutas por democracia, contra a tirania, inclusive com derramamento de muito sangue, suor e lágrimas, e porque nenhum governo ou autoridade democráticos tem competência para negá-lo ao seu titular.
É dever porque cada cidadão precisa ter a responsabilidade para com a coletividade de escolher seus mandatários, sendo obrigado a exercer seu direito (querendo ou não), para não penalizar ao sacrifício a democracia.

 A ideia de direito-dever é uma ideia que, apesar de aparentemente contraditória (direito obrigatório), não inova, pois nada mais é que uma variante do direito inalienável (que não pode ser vendido nem cedido), indisponível, irrenunciável, ou seja, um direito do qual o titular não pode abrir mão, não pode dispor dele (assim como o direito a vida e a liberdade) nem deixar de exercer, ainda que por vontade própria.
A liberdade, por exemplo, é um direito obrigatório. Ninguém pode abrir mão da sua liberdade para se tornar escravo de outro, nem que assim o quisesse.
Outro direito obrigatório é o direito ao ensino fundamental. É direito, porque conquistado ao sacrifício (como a democracia), mas é dever porque obriga a todos, tanto as crianças (que são obrigadas a exercer esse direito), quanto os adultos (que são obrigadas a dar-lhes as condições, a obrigá-las a exercer e a fiscalizar as condições e o exercício).
Assim também o voto: obriga quem não está exercendo o poder (cidadão comum), mas obriga quem o está exercendo (a autoridade constituída).
E o que obriga o exercício de tais direitos-deveres (ou direitos obrigatórios) é algo maior que o benefício do cidadão (aquele obrigado a exercê-lo), é o benefício que ele gera para a coletividade, para a sociedade!
Assim como os direitos humanos (inalienáveis) são inerentes ao indivíduo pelo simples fato da sua condição humana, o direito de voto é inerente ao indivíduo (no estado democrático de direito) pelo simples fato de viver em uma democracia.
O voto facultativo, mesmo em sociedades muito mais avançadas que a nossa quanto à educação e consciência políticas não tem se mostrado (no tempo) capaz de garantir a manutenção da democracia.
Muito ainda temos que investir em conscientização política e educação de base (principalmente para a cidadania) com qualidade para TODOS nesse nosso país continental para que se possa cogitar a possibilidade de tornar o voto facultativo.



I – ARGUMENTOS FAVORÁVEIS AO VOTO OBRIGATÓRIO
Os principais argumentos sustentados pelos defensores do voto compulsório podem ser resumidos nos seguintes pontos, a saber:
a) o voto é um poder-dever;
b) a maioria dos eleitores participa do processo eleitoral;
c) o exercício do voto é fator de educação política do eleitor;
d) o atual estágio da democracia brasileira ainda não permite a adoção do voto facultativo;
e) a tradição brasileira e latino-americana é pelo voto obrigatório;
f) a obrigatoriedade do voto não constitui ônus para o País, e o constrangimento ao eleitor é mínimo, comparado aos benefícios que oferece ao processo político-eleitoral.

II – ARGUMENTOS FAVORÁVEIS AO VOTO FACULTATIVO

Os adversários do voto obrigatório refutam tais ideias acima com os seguintes argumentos:
a) o voto é um direito e não um dever;
b) o voto facultativo é adotado por todos os países desenvolvidos e de tradição democrática;
c) o voto facultativo melhora a qualidade do pleito eleitoral pela participação de eleitores conscientes e motivados, em sua maioria;
d) a participação eleitoral da maioria em virtude do voto obrigatório é um mito;
e) é ilusão acreditar que o voto obrigatório possa gerar cidadãos politicamente evoluídos;
f) o atual estágio político brasileiro não é propício ao voto facultativo;

Veja mais: VANTAGENS E DESVANTAGENS DO VOTO OBRIGATÓRIO E DO VOTO FACULTATIVO





Fonte: Agência Senado, visitado em 16/10/2012. Endereço:

A participação dos cidadãos no dia a dia da política é tão importante para a democracia que justifica até mesmo o voto obrigatório. É o que pregou o filósofo francês Francis Wolff na noite de quarta-feira durante debate sobre o apolitismo, o primeiro do Fórum Senado Brasil 2012, que prossegue nesta quinta-feira (21).

Wolff acredita que quando a população se distancia da política, de cara abre espaço para a ação de políticos pouco interessados no bem-estar da comunidade. Num horizonte mais longo, essa ausência de interesse acaba por levar ao autoritarismo, quando não à instalação de regimes ditatoriais.

O voto obrigatório, ainda que pareça antipático, e para muitos uma porta aberta à manipulação de massas desinformadas, instaria os cidadãos ao seu dever de participar da política, pelo menos em época de eleições. O filósofo mencionou com preocupação os números da abstenção registrados nas recentes eleições presidenciais legislativas francesas: 42,7% no primeiro turno e 44% no segundo turno, sendo cerca de 50% no caso dos jovens. Naquele país , o voto é facultativo.

Em entrevista ao Jornal do Senado reproduzida pela Agência Senado, o filósofo citou outros mecanismos destinados a tornar mais legítimos os resultados eleitorais. A Sérvia, por exemplo, aprovou recentemente uma lei que anula as eleições quando a porcentagem de votos brancos e nulos atinge certo patamar.

Consumismo
Wolff observou na conferência de quarta que, depois de se tornar sujeito da história em lutas para derrubar regimes ditatoriais e construir a democracia, o povo se utiliza da liberdade conquistada para não se envolver na prática do processo democrático. É um paradoxo, segundo o estudioso, que se configura numa atitude apolítica, na sua opinião extremamente danosa  à democracia.
 
– A conquista da democracia mobiliza toda a sua energia, mas a posse o aborrece – afirmou o filósofo, que é professor da Escola Normal Superior de Paris.

Para Francis Wolff, o apolitismo pode se manifestar de diversas formas, desde a abstenção eleitoral até o consumismo exacerbado. Curiosamente, esse desinteresse seria uma consequência do individualismo gerado pela liberdade alcançada com o advento da democracia, o que o distingue do egoísmo. Ao adquirir mais liberdade, o indivíduo diminui sua dependência da comunidade, mas o que é a princípio um benefício gera depois o que Wolff chama de “efeito colateral”.

Na opinião do filósofo, isso faz com que as pessoas se excluam da vida pública considerando a ampla liberdade de atuação que conquistaram na vida privada. Mas como “não há vácuos de poder”, segundo Wolff, os cidadãos entregam seu poder de decisão a “políticos profissionais”. Sem cobranças, esse grupo fica livre para aprovar ou impor medidas distanciadas das verdadeiras necessidades e desejos dos cidadãos.

Brasil

Wolff considera o período em que lecionou no Brasil, entre 1980 e 1984, o mais importante de sua vida política, quando assistiu a transição do país à democracia – um processo, a seu ver muito bem-sucedido. Segundo ele, a ditadura forçosamente transforma tudo em política, se apropriando de dimensões como amor, esporte e arte para ações a seu favor, reduzindo a política formal a um “jogo de fantoches”.

Como exemplo, Wolff lembrou que em 1970, no auge do regime militar, intelectuais brasileiros diziam que o Brasil não podia ganhar a Copa do Mundo, pois o feito daria força à ditadura. Com a vitória do Brasil, lembrou, parecia “só haver futebol” no país:
– Mas será que não havia algo de político nessa paixão? – questiona.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO VOTO OBRIGATÓRIO E DO VOTO FACULTATIVO

Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

"Desinteresse por política ameaça a democracia"


“Desinteresse por política ameaça a democracia”

 
Fonte: Agência Senado, visitado em 16/10/2012. Endereço:
 
O filósofo francês Francis Wolff é um ardoroso defensor da democracia, mas evita o romantismo ao analisar aquele que é tido como fonte e sustentáculo dos regimes democráticos:

— O povo está para a democracia como Don Juan está para as mulheres: a conquista mobiliza toda a sua energia, mas a posse o entendia – costuma observar, em tom bem humorado, aos seus alunos da Escola Normal Superior de Paris.

Autor de livros como Aristóteles e a Política e Dizer o Mundo, Wolff fará nesta quarta-feira (20) a primeira palestra do ciclo de debates Fórum Senado Brasil 2012.

Como se pode notar pela comparação em que remete ao lendário sedutor espanhol, um dos alvos da filosofia de Wolff é o apolitismo. Na opinião do filósofo, o desinteresse dos cidadãos pela política ameaça a democracia, ao fomentar entre outros males a ação do que chama de “políticos profissionais”. Livre de cobranças, esse grupo teria o hábito de aprovar ou impor medidas descoladas das verdadeiras necessidades e desejos dos cidadãos.

- Quando é governado por um tirano, o povo sonha em conquistar o poder. No entanto, ao alcançar a democracia, recusa-se a exercê-lo e abandona a política – lamenta Francis wollf, que classifica o distanciamento entre governantes e governados de “negação da democracia”.

Observador da cena política brasileira desde os anos 1980, quando lecionou na Universidade de São Paulo (USP), o filósofo vê de forma positiva o avanço no Brasil dos mecanismos de fiscalização do poder público por meio da internet.

- Cada país precisa encontrar seus próprios remédios – disse Wolff em entrevista a Ricardo Westin, do Jornal do Senado.

O que é o apolitismo?
O apolitismo é a recusa dos cidadãos, explícita ou implícita, em participar da vida da comunidade política e das escolhas que essa comunidade faz. É o desinteresse pela coisa pública. Na Europa, o apolitismo se manifesta quando o povo vota em grupos populistas e demagógicos (partidos de extrema direita, xenófobos) e quando se abstém em massa das votações. No Brasil, o apolitismo se manifesta quando os cidadãos se afastam dos políticos. Em vez de entrar no território ligado ao poder, os cidadãos se “retiram” para o território individual, familiar, religioso e até esportivo.

Por que o apolitismo é uma ameaça à democracia?
O distanciamento entre os governantes e os governados é a negação da democracia. É possível que o cidadão nem perceba que, quando ele procura “viver em paz”, sem intrometer-se nos temas públicos, a política acaba se tornando um campo exclusivo dos “políticos profissionais”. Como estão distantes do povo, esses políticos tendem a tomar medidas tecnicistas, orientadas por critérios técnicos, sem levar em consideração as opiniões, os interesses e as vontades da população. No dia a dia, o cidadão não se dá conta disso. Só percebe quando os políticos baixam alguma medida que realmente o prejudica.

O apolitismo pode levar à ditadura?
A possibilidade existe. O apolitismo cria “políticos profissionais”, políticos que não distinguem entre público e privado, políticos corruptos. Isso, por sua vez, estimula partidos populistas e demagógicos a espalhar a ideia de que todos os governantes são corruptos e que é preciso “limpar” a política. Com tais argumentos, podem instaurar a ditadura.

O que leva os cidadãos a recusar a vida política?
O individualismo. Trata-se de um paradoxo, porque o individualismo é uma conquista feliz da democracia e, ao mesmo tempo, sua principal ameaça. A democracia deixa as pessoas livres para realizar, sozinhas, seus objetivos de vida. Mas, justamente por conseguirem preencher suas necessidades sem depender de outras pessoas, elas se preocupam menos com o grupo e se afastam da política — o que abre espaço para os “políticos profissionais”.

De que forma se combate o apolitismo?
Não se trata de obrigar as pessoas a fazer política. Repito: o individualismo é uma das maiores conquistas da democracia. Trata-se de encontrar meios educacionais e institucionais que preencham a distância entre a comunidade e o poder. Pode-se reduzir o apolitismo por meio da educação para a cidadania, nas escolas, e por meio de campanhas. Há também soluções políticas, maneiras institucionais de melhorar o funcionamento da democracia. Para reduzir os votos brancos nas eleições, por exemplo, a Sérvia recentemente decidiu que, quando a porcentagem desse tipo de voto atingir certo patamar, nenhum candidato pode ser eleito. No caso do Brasil, boas medidas são a prestação pública de contas de políticos e governantes, o acesso dos cidadãos pela internet à informação pública e a divulgação de indicadores que permitam comparar gestores públicos. Cada país precisa encontrar seus próprios remédios.

Quando fala do apolitismo, o senhor costuma fazer uma comparação com o personagem Don Juan.
Os momentos em que um povo é mais politizado são os períodos de transição, como o que o Brasil viveu nos anos 1980 e o que certos povos árabes viveram no ano passado. Mas, quando finalmente conquista a democracia, o povo tende a desinteressar-se da política. Eis outro paradoxo. O interesse do povo é conquistar o poder, e não exercê-lo. O povo execra os tiranos, aqueles que exercem o poder contra ele, mas tem horror de exercê-lo ele mesmo. Usa sua liberdade para não ocupar esse lugar. É por isso que digo que o povo está para a democracia assim como Don Juan está para as mulheres: a conquista mobiliza toda a sua energia, mas a posse o entendia.

O senhor viveu no Brasil nos anos 1980. Do que mais se lembra?
Eu tive a sorte de morar no Brasil entre 1980 e 1984. Peguei desde a Lei da Anistia, no governo Figueiredo, até as grandes manifestações das Diretas Já. No meu voo de Paris para São Paulo, voltavam para o Brasil os últimos intelectuais exilados. Foi a época da minha vida em que mais aprendi do ponto de vista político. Eu sempre escutava que “um povo sem passado nem cultura democrática não está maduro para a democracia”. No Brasil, aprendi que isso é bobagem, pura bobagem. O povo brasileiro conseguiu fazer uma transição democrática exemplar, que até agora está absolutamente fiel aos seus objetivos.

Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Frei Leonardo Boff, teólogo, filósofo, escritor e Dr.Honoris Causa em política, pela Universidade de Turim por solicitação de Norberto Bobbio, escreveu em seu blog o texto [Manter viva a causa do PT: para além do “Mensalão”][1] no qual ele defende a necessidade de manter viva “a causa daqueles que vem da grande tribulação histórica sempre mantidos no abandono e na marginalidade” e que ele define como sendo a causa do PT.

Acerta enormemente o teólogo (por esforçada formação) ao defender que a causa precisa sim ser mantida viva, defendida, abraçada e revitalizada sempre, por questão de justiça liberdade, igualdade e fraternidade sociais, mas erra à superlação o político (talvez pela falta de formação, apesar da indicação) ao acreditar que essa é a causa do PT (embora possa até ter sido, de fato, um dia), ou pior: que tal sigla seja a única a defender tal causa; que seja o melhor exemplo de tal defesa ou ainda que seja o exemplo mais digno de personificar tal causa ou sua defesa.

Acerta, em parte, o Filósofo ao identificar um possível ataque da mídia e/ou de alguns meios de comunicação ao partido criado com a pretensão de representar os trabalhadores assentado no discurso da ética e da integridade (qual um Davi subnutrido do proletariado a enfrentar o Golias da Elite econômica e intelectual), mas erra, em duas partes, o escritor ao se lançar ao simplismo de acreditar que tal ataque tem por explicação principalmente as “Lutas de classe e o Conservadorismo de Elites Dominantes”, segundo ele próprio, já superadas e em desesperada tentativa de sobrevivência.

Não enxerga o escritor que “A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão” possa ser, sobretudo, uma resposta da sociedade (e não só da mídia) à falência moral do partido que se arvorou de último baluarte nacional da integridade e da ética, cujo líder, no comando da nação após tanto esforço, após tantos sonhos, tantas expectativas, disse em alto brado “Eu sou o homem mais ético desse país” (menosprezando a ética de brasileiros como Chico Xavier, Rubem Alves, Leonardo Boff, Frei Beto, Reguffe e tantos outros) enquanto articulava aos cochichos o mensalão que hora está sendo julgado.

Acerta o respeitável ancião ao dizer que nossas elites econômicas e intelectuais atrasadas são mais interessadas em defender seus privilégios do que garantir direitos a todos, como qualquer outra que pretende manter o status quo por estar na mesma posição, mas erra o homem ao não perceber que essa atitude, se era esperada vindo das elites, era inadmissível vindo do baluarte da “esperança nacional” (imagem criada pela própria sigla, aparentemente no início para congregar esforços legítimos de representações nobres, hoje para criar ilusão e justificar os fins).

Um partido que, se a princípio nasceu da periferia, com vocação a tábua de salvação dos menos providos da sorte por empenhado discurso de ética e integridade, bem cedo se viu na mesma bancarrota da politicagem partidária, que uma vez reconhecida pelos verdadeiramente éticos do partido, os obrigava a abandoná-lo por malogro das suas aspirações mais virtuosas.

O que o escritor, enganado em sua boa fé, não percebe ao analisar a veemência do rechaço ao mensalão (não só da mídia, mas da população mínimamente esclarecida, excluindo, por justiça, a militância cega de qualquer lado), é que aquilo que ele identifica por mero ataque ao PT é na verdade, por chegada a hora, um basta ao mercantilismo de baldroca político e à vergonhosa forjicação da política em nome de uma ética inexistente que, governo após governo, partido após partido, geração após geração, teima em tomar nossos sonhos, desejos e ansiedade de justiça social de assalto!

Deixo aqui algumas perguntas de quem nunca foi simpatizante de partido algum e é parte de uma geração mantida no analfabetismo político, fomentado pela Ditadura Militar, que muito tardiamente veio a se politizar, mas que é filho de uma classe média conquistada a muito suor e imolação por pais que saíram da roça sem medo de enfrentar o trabalho e os estudos ao sacrifício pessoal. Perguntas de quem é radicalmente contra o radicalismo (seja político, religioso, social, científico ou filosófico):

1)    Você REALMENTE acredita que Lula não sabia de nada em relação ao mensalão?
2)    Porque as REALMENTE boas lideranças do PT foram alijadas do partido (por vontade própria ou contra ela)? (Erundina, Luiza Helena, Marina Silva e tantas outras)
3)    Como pode um partido viver à sombra de um Deus-Homem a quem REALMENTE tudo se desculpa por estar colocado acima do bem e do mal?
4)    A quem REALMENTE aproveita a (des)qualificação da crescente aversão do Brasileiro à politicagem há muito praticada por todos os partidos como mero ataque ao PT por “questão de lutas de classe ou conservadorismo da elite dominante”?
Caráter não se vende, não se compra, não se relativiza.
Segue sugestão de importante Leitura sobre Caráter e Corrupção:

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A organização da Sociedade Civil

                                                    
"Sozinhos somos presas, juntos somos predadores:
Sozinhos, sem pensar, somos presas fáceis.
Individualmente, mas pensando, somos presas difíceis.
Juntos, sem pensar, somos presas muito difíceis.
Juntos, pensando, somos predadores!
Juntos somos mais; pensando somos imbatíveis!" 
                                                                                  (Al'Camir) 


A Sociedade Civil, quando organizada, pode exercer a forma mais legítima de poder: aquele que se origina do povo, que é exercido pelo próprio povo e se exerce para o povo (sem interesses intermediários como o dos políticos e/ou partidos).
Atualmente existem sites como o Cidade Democrática[1] cuja iniciativa visa possibilitar a apresentação de propostas populares que beneficiem a própria população que as apresenta.
A maior contribuição desse tipo de site é possibilitar que as pessoas comecem a se organizar em torno de temas de interesse comum a todas elas. Mas é preciso estabelecer a regionalização dos interesses e propostas, pois as necessidades das pessoas de uma cidade (ou região) não são as mesmas das de outra.
A organização da sociedade favorece o poder de cobrança da população. A sociedade organizada (mais que a opinião pública), funciona como as cooperativas que aumentam muito o poder de barganha dos pequenos compradores, que só conseguem melhores condições de compra porque estão juntos.
A Organização da sociedade civil possibilita:
1)    a exigência de políticas públicas que beneficiem a sociedade;
2)    o aumento do poder fiscalizador do cidadão;
3)    a aproximação entre os representantes e seus representados (sob pena de perda da representação, logo, do cargo político);
4)    a substituição dos políticos (em última instância) que insistem em agir contra os interesses dos que eles deveriam representar, deturpando (ou usurpando) o poder que lhes é concedido por voto. (vide o caso Collor de Melo)
Essa organização da Sociedade Civil foi muito facilitada pelo recente avanço da tecnologia (últimos 15 anos) que permitiu a criação e proliferação da internet e mais recentemente das redes sociais, nas quais vivemos a era do Compartilhamento (posterior à era da Informação).
As redes sociais são a Vanguarda de uma Nova Política que cada vez mais permite a organização civil da sociedade em prol dos interesses da própria sociedade. Quiçá a ponto de impedir totalmente os desvios dos representantes que buscam a satisfação dos seus interesses individuais em detrimento do interesse público (daqueles a quem eles deveriam representar).
AS REDES SOCIAIS SÃO A VANGUARDA DE UMA NOVA POLÍTICA.
Encurtam distâncias entre os que pensam, os que agem, os que são!
Amilcar Faria