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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Reforma Política por iniciativa popular - I

                                                           
“A política tem sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano.” (Voltaire)

Mas se por um lado o espírito humano tem em si a perversidade, por outro possui também a benevolência, a indulgência e a inteligência que a ela se contrapõe e se bem cultivadas, fomentadas e aplicadas bem fácil a podem domar ou sobrepujar.


No que diz respeito à tão desejada, por necessária, Reforma Política (ou reforma do Sistema Político, dada a sua desejável abrangência estrutural) podemos classificá-la em pelo menos 3 tipos: a reforma possível, a reforma necessária e a reforma ideal.

A reforma possível (que mais tem parecido impossível) é a que vem se arrastando em “lombo de mula empacada”, tentada por iniciativa do próprio parlamento e sujeita a todos os óbices e dificuldades do processo legislativo ordinário e dos embates entre os parlamentares ordinários, que superam à larga os raros extraordinários.

A reforma necessária é aquela que garantiria atender minimamente a necessidade urgente da sociedade de ser de fato e verdadeiramente representada pelos políticos que ela elege, com transparência, integridade e compromisso.

A reforma ideal é aquela que, por utopia, eliminaria de uma vez a possibilidade de falta de integridade dos políticos e de corrupção (inclusive a das prioridades, como ocorre ao construir um estádio fadado à ociosidade no lugar de escolas ou hospitais fadados à utilidade).

O Deputado José Antônio Reguffe (PDT-DF), um dos poucos que não fazem ordinariamente uma política ordinária, defende: “A reforma política deve ter como objetivo aproximar eleitores e eleitos”.

Mas se por um lado a reforma política precisa, como um de seus objetivos fundamentais, aproximar os representantes dos representados, por outro lado é impossível acreditar que os representantes (políticos), por iniciativa própria, irão realizar a reforma necessária que mais aproveitará aos representados (eleitores) do que a eles próprios.

Esforçam-se eles (os políticos da velha e ordinária política), descartando a reforma ideal (por utópica), para realizar uma reforma paliativa (travestida em possível, mas nunca alcançada devido a interesses próprios quanto escusos). Reforma essa que, se em alguma medida possa aproveitar aos representados, em medida dez vezes maior aproveitará a eles próprios, os representantes (políticos por profissão que há muito venderam a vocação).

Mas a sociedade civil, sabendo que não pode contar com a classe política, por corrompida, já se organiza paralelamente ao congresso para fazer, por iniciativa popular, uma proposta de reforma política mais abrangente, apresentando e representando os anseios da sociedade onde eles não forem atendidos pelos que deveriam representá-la (o Congresso Nacional).


 

 
 

Exemplo dessa organização da sociedade civil é o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), que é uma entidade civil organizada composta por mais de 50 outras entidades organizadas da sociedade (OAB, CNBB, Abracci, Cáritas, IFC, Amarribo, CUT, Unacon, Sindlegis, Fisenge entre outras) que, identificando a necessidade de combater a corrupção eleitoral, já conseguiu transformar em lei dois projetos de iniciativa popular, sendo uma delas a lei Lei Nº 9840/1999 (Lei da compra de votos) e a outra a Lei Nº 135/2010 (Lei da Ficha Limpa).

Não obstante a enorme importância da referida lei para o aprimoramento do nosso processo eleitoral, percebeu-se que a mesma gravita o espaço do combate aos efeitos da corrupção e não às suas causas.
Com base nessa percepção, na crença de que a causa fundamental da corrupção eleitoral está no atual sistema que permite o financiamento privado de campanha (que permite  ao poder econômico influenciar o processo político), e na urgência de firmar posição quanto às necessidades da sociedade devido ao fato de estarmos às vésperas de uma possível votação de proposta de reforma política, “discutida há mais de 15 anos e travada por interesses diversos”, o MCCE capitaneou a elaboração do Manifesto Eleições Limpas: Contra o Financiamento Privado e em Defesa do Financiamento Democrático de Campanha, que será divulgado em ato público de mesmo nome em Brasília no dia 08/04/2013.


 
 
Somente a partir da iniciativa popular poderemos conseguir algo próximo (quiçá além) de uma reforma necessária, porque, caso não haja nenhuma iniciativa da sociedade, não teremos sequer uma reforma política possível (talvez menos até que uma paliativa).

Não é sensato esperar que o Rei, por iniciativa própria em ato de benevolência (ou de loucura), decrete a redução dos seus próprios poderes enquanto monarca, assim como não é sensato sequer imaginar que os "velhos" políticos venham a fazer, de per si, uma reforma política que possa favorecer os interesses e necessidades coletivos em detrimento dos seus interesses e necessidades individuais.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A organização da Sociedade Civil

                                                    
"Sozinhos somos presas, juntos somos predadores:
Sozinhos, sem pensar, somos presas fáceis.
Individualmente, mas pensando, somos presas difíceis.
Juntos, sem pensar, somos presas muito difíceis.
Juntos, pensando, somos predadores!
Juntos somos mais; pensando somos imbatíveis!" 
                                                                                  (Al'Camir) 


A Sociedade Civil, quando organizada, pode exercer a forma mais legítima de poder: aquele que se origina do povo, que é exercido pelo próprio povo e se exerce para o povo (sem interesses intermediários como o dos políticos e/ou partidos).
Atualmente existem sites como o Cidade Democrática[1] cuja iniciativa visa possibilitar a apresentação de propostas populares que beneficiem a própria população que as apresenta.
A maior contribuição desse tipo de site é possibilitar que as pessoas comecem a se organizar em torno de temas de interesse comum a todas elas. Mas é preciso estabelecer a regionalização dos interesses e propostas, pois as necessidades das pessoas de uma cidade (ou região) não são as mesmas das de outra.
A organização da sociedade favorece o poder de cobrança da população. A sociedade organizada (mais que a opinião pública), funciona como as cooperativas que aumentam muito o poder de barganha dos pequenos compradores, que só conseguem melhores condições de compra porque estão juntos.
A Organização da sociedade civil possibilita:
1)    a exigência de políticas públicas que beneficiem a sociedade;
2)    o aumento do poder fiscalizador do cidadão;
3)    a aproximação entre os representantes e seus representados (sob pena de perda da representação, logo, do cargo político);
4)    a substituição dos políticos (em última instância) que insistem em agir contra os interesses dos que eles deveriam representar, deturpando (ou usurpando) o poder que lhes é concedido por voto. (vide o caso Collor de Melo)
Essa organização da Sociedade Civil foi muito facilitada pelo recente avanço da tecnologia (últimos 15 anos) que permitiu a criação e proliferação da internet e mais recentemente das redes sociais, nas quais vivemos a era do Compartilhamento (posterior à era da Informação).
As redes sociais são a Vanguarda de uma Nova Política que cada vez mais permite a organização civil da sociedade em prol dos interesses da própria sociedade. Quiçá a ponto de impedir totalmente os desvios dos representantes que buscam a satisfação dos seus interesses individuais em detrimento do interesse público (daqueles a quem eles deveriam representar).
AS REDES SOCIAIS SÃO A VANGUARDA DE UMA NOVA POLÍTICA.
Encurtam distâncias entre os que pensam, os que agem, os que são!
Amilcar Faria